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Em alguns sábados tenho encontrado o portão da Escola Básica Augusto Gil aberto. Aponto o meu telefone e fotografo. Reparo que da memória visual que tenho daquele lugar, pouco mudou, excepto a noção do espaço que agora me parece reduzido. Pergunto-me sobre o modo como esta transformação se manifesta. Obviamente foi o meu tempo que transformou aquele espaço porque as paredes não encolhem sozinhas. Mas na proporção inversa, o meu corpo não aumentou tanto desde os meus 15 anos quanto a memória daquele pátio diminuiu. Reparo que o físico e o emocional da memória não são proporcionais. Concluo o meu pensamento sobre esta imagem com duas perguntas sobre o funcionamento das consciências globais. Será impossível de cartografar todo o mundo ou é apenas uma questão de tempo e conectividade coletivos? Poderá, numa lógica inversamente proporcional, a nossa consciência e relação emocional sobre ele aumentar? Somos corpos finitos apaixonados pelos ilusionismos do tempo.