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Uma consequência inevitável da identidade da fotografia enquanto meio e suporte é a sua translação para a cultura popular. A par do cinema, parece-me ser também a forma de arte mais permeável a essa violação onde o fundamental da identidade é traduzido e comercializado em trejeitos, estilos e lugares comuns muito desejados pelos olhares não educados. Por outro lado, vejo que a fotografia erudita procura constantemente uma auto-legitimação como forma de sobreviver a esses alugueres de curta duração, remetendo-se para um circuito de elite. Existe uma certa gentrificação no meio fotográfico. É uma media que pertence à criação popular, irracional e vernacular, constantemente subsidiada pela promessa da tecnologia, vivendo em eterno ciclo de desgaste e renovação. Pergunta. Deveríamos praticar uma fotografia politizada, separatista e ideológica?

Imagem 1 - Aníbal Cavaco Silva Visita à UPTEC TECH - 5 de outubro de 2015